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Mães no mercado de trabalho

Quais são os principais desafios enfrentados pelas mães no ambiente profissional?

A presença de mães no mercado de trabalho ainda está marcada por uma série de desafios estruturais que impactam diretamente sua permanência, crescimento e estabilidade profissional. Entre os principais fatores estão a desigualdade salarial, a falta de flexibilidade nas jornadas, o acesso limitado a oportunidades de desenvolvimento e o preconceito ainda presente em processos seletivos e no dia a dia corporativo. A dupla jornada, que combina trabalho formal com responsabilidades domésticas e de cuidado, intensifica esse cenário e cria uma sobrecarga que afeta tanto o desempenho quanto o bem-estar dessas profissionais.

Além das barreiras operacionais, a baixa representatividade feminina em cargos de liderança estratégica reforça um ciclo de exclusão. A ausência de mulheres, especialmente mães, em posições de decisão impede a criação de políticas mais inclusivas dentro da estrutura organizacional. Isso contribui para um ambiente que não reconhece as dificuldades da maternidade como parte da dinâmica de trabalho.

Os impactos dessa realidade também são emocionais. A dificuldade de conciliar expectativas profissionais com responsabilidades familiares gera sentimentos de culpa, exaustão e insegurança. Esse cenário é agravado pela falta de uma rede de apoio consistente, tanto no âmbito pessoal quanto dentro das próprias empresas. Sem suporte adequado, muitas mulheres acabam sendo levadas a reduzir sua participação no mercado ou até mesmo a se afastar completamente dele.

 

Dados e Legislação

Os números reforçam a dimensão desse problema. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, quase metade das mulheres que utilizam a licença-maternidade se afastam do mercado de trabalho após 24 meses. Cerca de 60% dessas mulheres permanecem fora do mercado, e aquelas que continuam empregadas ocupam majoritariamente cargos operacionais. Além disso, 47% relatam demissão ou perda de função após a licença. 

Do ponto de vista legal, existem avanços importantes, como a garantia de estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. No entanto, a existência da lei não elimina práticas excludentes. A mesma pesquisa aponta que 94,8% das mulheres nunca foram promovidas durante a gestação ou licença-maternidade, evidenciando uma estagnação profissional em um período crítico. Isso demonstra que, apesar da proteção jurídica, ainda há uma distância significativa entre o que está previsto na legislação e o que é aplicado na prática.

 

Quais as vantagens de ter uma força de trabalho incluindo mães?

Apesar dos desafios, é fundamental reconhecer o valor estratégico das mães no ambiente corporativo. A maternidade desenvolve habilidades altamente relevantes para o contexto profissional, como tomada de decisões sob pressão, organização, inteligência emocional, gestão de múltiplas tarefas e adaptação constante. 

Empresas que compreendem esse potencial conseguem não apenas promover maior equidade, mas também fortalecer sua capacidade de execução e colaboração. Além disso, oferecer suporte efetivo às mães contribui diretamente para a atração e retenção de talentos e para a construção de uma marca empregadora mais sólida e coerente.

 

Quais são as estratégias eficazes para conciliar as demandas da maternidade com as exigências do trabalho? 

Nesse contexto, estratégias práticas fazem diferença. A criação de redes de apoio envolvendo iniciativas internas das empresas é um dos pilares para equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho. Políticas de flexibilidade, programas de desenvolvimento e ambientes que incentivem a escuta ativa são caminhos possíveis para reduzir barreiras e ampliar oportunidades. Mais do que adaptar estruturas, trata-se de repensar a forma como o trabalho é organizado.

Neste Dia das Mães, fazemos um convite às empresas que vai além das homenagens. É uma oportunidade para refletir sobre o quanto suas práticas realmente acolhem essas profissionais de forma justa. A maternidade não deve ser tratada como um obstáculo, mas como uma experiência que amplia repertórios e fortalece competências. Com mudanças consistentes e compromisso real, é possível construir um ambiente de trabalho mais inclusivo, equilibrado e igualitário para todas as mães.

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